Entrevista: Respirando Yôga

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Por Priscilla Adduca

Quando e como foi o seu primeiro contato com o Yôga? Meus pais se conheceram numa prática de meditação de Kriyá Yôga e com certeza meu interesse por esoterismo, Yôga ou qualquer coisa que venha da Índia tem as suas origens aí! Quando eu era muito pequena, meu pai costumava acordar cedo para se alongar e meditar na varanda de casa, antes de sair para correr na orla e eu gostava de fazer junto com ele! Ele me ensinou a abstrair os ruídos e me concentrar apenas no som do barulho do mar, uma verdadeira técnica de Yôga e isso eu devia ter uns 6 anos.

O que te levou a querer se tornar profissional nessa área? O que você fazia antes disso? Aos 21 anos, eu estava cursando a Faculdade de Direito da UFBA, lá pelo sexto semestre, com todo o “futuro promissor” garantido… Mas infelizmente, ou não, algo dentro gritava desesperadamente, pois eu já não estava feliz estudando ou estagiando, quanto mais trabalhando naquela área. Sentia-me presa a valores incompatíveis com a minha vida, sentia-me como se estivesse vendendo a minha alma e, nessa altura, eu já estava praticando e estava completamente apaixonada pelo Yôga. Por eu ter abandonado a Faculdade, fui obrigada pela minha mãe, a frequentar uma terapeuta, especializada em direcionamento de profissão. E foi justamente ela quem despertou o meu interesse em me profissionalizar no Yôga e ainda, apoiou-me 100%, em trabalhar com algo que eu amasse!

A forma que você se alimenta influencia na prática dos exercícios? Como você faz pra se alimentar melhor? Sim, com certeza, afinal somos o que comemos e o Yôga é exatamente uma filosofia prática que nos responde aos questionamentos filosóficos de quem somos! Que a alimentação interfere diretamente na nossa constituição física, todos sabemos, mas ela também interfere nas emoções, pensamentos e níveis vibracionais mais sutis da nossa energia! Dessa forma, normalmente um yôgin opta, como eu, pela alimentação vegetariana, principalmente para não alimentar suas células com os detritos tóxicos das emoções pesadas, por exemplo, pavor e medo, que um animal libera na sua carne antes de ser abatido. Mas não basta só não comer carne de qualquer espécie. Procuro optar sempre por alimentos frescos e orgânicos!

Qual a maior mudança que você sentiu na sua vida depois que começou a praticar Yôga com frequência? São tantas as transformações físicas, orgânicas, emocionais e mentais que é difícil escolher a maior… Acho então que vou escolher as emocionais, já que acredito que este seja o maior desafio de todo ser humano! Devido à disciplina, auto superação, auto estudo, às técnicas respiratórias, mentalizações para sublimação e limpeza das emoções, o Yôga nos possibilita uma consciência maior de nós mesmos, como uma lupa de aumento, que nos faz enxergar quem verdadeiramente somos e o que precisamos melhorar. Além disso, ele nos fornece as ferramentas para usarmos nos momentos de maior desafio, conflitos e etc. No início é necessário um certo esforço e atenção no que sentimos, pensamos, falamos ou agimos, mas com o passar do tempo, vamos educando os nossos condicionamentos emocionais e reagindo de forma mais estável e tranquila aos desafios que a vida nos impõe.

Qualquer pessoa pode fazer Yôga? Sim, claro! No entanto, para praticar com segurança a parte do Yôga que envolve as técnicas corporais, chamadas ásanas, é importante a autorização médica através de um exame simples. Mas mesmo uma pessoa impossibilitada de fazer as técnicas corporais, pode fazer mudrá (linguagem gestual), pújá (trânsito de energia), mantras (vocalização de sons sagrados), pránáyámas (técnicas respiratórias), bandhas (contração de plexos e massageamento de glândulas), kriyás (técnicas de purificação), yôganidrá (técnica de relaxamento), mentalizações e samyama (técnicas de concentração, meditação e hiperconsciência).

Quais os principais benefícios dessa prática especialmente para as mulheres? O Yôga ajuda a diminuir o estresse e a ansiedade; aumenta a flexibilidade e a força dos músculos; melhora a postura, diminuindo dores nas costas; estimula a circulação sanguínea; ajuda a desenvolver uma atitude positiva em relação à vida; aumenta a concentração e o equilíbrio emocional; melhora a capacidade imunológica; ajuda a melhorar quadros de insônia e depressão. Além de tudo isso, o Yôga trabalha muito com o massageamento de determinadas glândulas do sistema endócrino, o que para nós mulheres é extremamente benéfico, pois ajuda a regular e equilibrar os hormônios.

No seu dia a dia, fora das aulas, você usa os princípios do Yôga de alguma forma? De todas as formas. Muito mais do que técnicas, o Yôga é uma filosofia de vida. As técnicas do Yôga despertam estados de consciência, como o estado de harmonia consigo mesmo e com o Universo ao seu redor. Os princípios que descrevi acima, por exemplo, tapas (auto superação) swádhyáya (auto estudo), durante a prática faz com que você esteja estável, no seu centro, com a respiração e energia fluindo harmoniosamente independentemente do desafio de um ásana, por exemplo, e, da mesma forma, devemos fazer nas nossas vidas. O mundo pode estar desabando ao meu lado, sempre tentarei me manter no meu centro, no meu eixo, em equilíbrio, pois sei que assim saberei como agir melhor!

Alguma dica pra quem nunca fez Yôga e tem vontade de experimentar?! A dica é exatamente experimentar! Existem muitos tipos de Yôga e o melhor é aquele que a gente mais se identifica. Então para saber, só praticando!

Como no Fotucas a gente fala de sonhos, não posso deixar de perguntar: Qual o seu maior sonho? Parece piegas, mas meu maior sonho é que todos os seres humanos pudessem sentir como me sinto: conectada com o que há de mais divino que existe em cada um de nós e que está presente em toda parte e, muito mais do que saber, sentir que a vida vai além do que enxergamos, tocamos ou sentimos apenas como os nossos limitados 5 sentidos físicos. Talvez tenha sido essa a principal razão pela qual resolvi me tornar professora de Yôga.

Quem quiser entrar em contato com a Mari, o email dela é: mari_keller@hotmail.com.

Essa é a terceira entrevista exibida pelo Fotucas! Se quiser ler (ou reler) as outras, é só clicar:

Entrevista: Designer de Moda com Candida Specht

Entrevista: Amor de Mãe com Juliana Mutti

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